BANANAS PARA A SOCIEDADE
Há pouco tempo um Deputado, não qualquer deputado, mas sim um dos mais votado no RS, representante do Partido Progressista ( PP) e da bancada ruralista Luis Carlos Heinze,afirmou em alto e bom tom, em numa reunião oficial da Comissão de Agricultura, de que quilombolas, índios, gays e lésbicas são todos, gente que não presta.
Em outro vídeo, em um arremate da resistência/venda de gado, ele substitui a palavra quilombolas por negros. Ou seja, para este deputado, pressupõe-se que negros são gente que não presta, disse e reafirmou em vídeo.
Na RBS, a grande mídia do sul, estampa no seu jornal diário Zero Hora, uma foto de capa de um árbitro negro ( juiz de futebol) chorando, denunciando que foi covardemente agredido por torcedores, que inclusive deixaram bananas em seu carro no estacionamento. Crime de racismo, bem noticiado.
No jornal matutino Bom dia Rio Grande, da mesma RBS, a apresentadora fechou a matéria com uma chamada proclamando a punição exemplar para este caso de intolerante racismo. Isso não pode ficar assim, tem que haver uma punição exemplar, disse a apresentadora. Atitude acertada.
Porém, incrível, em poucos dias as coisas mudaram radicalmente para os veículos da RBS. Para o deputado, esta mídia, abriu espaço para explicações, ficou a impressão de que seria quase um deslize, mas para os torcedores, exigem punição rígida enquadrando o caso como um crime de racismo.
Não é a toa que nas conversas do cotidiano há quem aposte que o deputado vai ganhar votos com sua fala racista. Talvez seja verdade. Fico imaginando os seguidores do deputado lendo a notícia de capa da ZH e pensando - mas que jornalzinho de segunda categoria, dando espaço pra esta gente que não presta, e logo na capa. Ou ainda, os torcedores que agrediram o árbitro, estampando uma faixa no campo .. este juiz negro é gente que não presta, eu apoio o deputado.....
Por conta disso, e de outras quimeras, não tenho dúvidas da necessidade de construir uma outra imprensa, que seja livre democrática de fato e de direito, sem partidarização. E tenho certeza de que estas coisas estão relacionadas, conectadas umas nas outras. O deputado é partidário da candidata/senadora que foi empregada da RBS e que diga de passagem, trabalhava como setorista do segmento rural, a base do deputado. Estampar na capa reportagem sobre o racismo é livrar a cara, sua e dos seus.
Não tenho dúvidas que a posição do deputado e dos torcedores expressa um sentimento existente em muitos racistas esparramados pelos campos do Rio Grande.

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