UMA nova EMATER, pra que e para quem?
O tema do seminário de Agroecologia deste ano é: Outro olhar sobre o desenvolvimento, portanto é muito oportuno, quem sabe, também, pensar em outro olhar sobre a Emater.
Qual a EMATER que a agricultura familiar precisa para viver melhor com mais qualidade de vida em um ambiente ecologicamente equilibrado e se sustentando? Viver melhor e de preferência produzindo alimentos de qualidade e quantidade para si e para nos beneficiar, enquanto consumidores, nos permitindo viver melhor por mais tempo.
Uma Emater que dê conta de ser útil para os agricultores familiares que insistem em ficar no campo produzindo, mesmo com dificuldades, e, para aqueles que não conseguiram fugir pra cidade e estão mais pobres do que antes.
Uma nova Emater para uma agricultura que produza, mas não destrua o ambiente, que não contamine nossas águas e solos e que permita que os agricultores permaneçam no campo longe da ilusão do conforto fácil do urbano.
Um senhor desafio, pensar em uma estrutura que dê conta de atender aos nossos interesses corporativos, aos do governo Tarso e de suas dificuldades de encaixe financeiro, mas que ao mesmo tempo, uma estrutura que dê conta daqueles que depositam ( imaginam pelo menos) no trabalho da extensão rural a sua última ( ou única) esperança para melhorar de vida.
Para muitos o debate se resume na defesa de uma estrutura pública? Uma EMATER mais de Estado? Para outros o debate não passa pela mudança de estrutura e sim pelo fortalecimento da gestão. Mas uma coisa é certa, teremos uma reestruturação e precisamos de uma nova cultura institucional e para isso temos que nos posicionar.
Em nossas reflexões, imaginamos que para a melhor decisão o debate não pode circular no centro do nosso umbigo. Para pensar em uma nova Emater necessitamos refletir sobre o papel da ATER no rural de hoje, abrir o debate na sociedade e escancarar os permanentes desafios históricos que ainda nos cercam.
Refletir sobre as boas oportunidades que existem para os agricultores familiares que estão resistindo à modernidade da agricultura globalizada ideologizada no mito da eficiente agricultura industrial plantadora de grãos.
Uma nova Emater não pode ficar isolada, tem que se aproximar das outras instituições de ATER, das ONGs, dos movimentos sociais, dos ambientalistas, da pesquisa e de todas as instituições de ensino. Devemos fortalecer a relação com o MDA e abrir novas frentes com o MDS, MMA e MAPA.
Não deve ser monodisciplinar, precisa ser equilibrada no conhecimento agronômico, ecológico, econômico e social. Pensar da porteira pra fora, também, mas principalmente na qualidade de vida das pessoas, no bem viver da agricultura familiar.
Pensar no fortalecimento do mercado local e proteção ambiental, mas, sobretudo nos mais pobres. Refletir no papel que temos na erradicação da pobreza no rural para atender os miseráveis que ficaram no campo, por conseqüência, por sorte ou por azar, mas sem criar expectativas de levá-los para produção e consumo como a única alternativa possível.
Por fim, precisamos de um debate que nos mobilize e nos recoloque novamente no centro da discussão, de fato, que nos indague para pensar num outro olhar para o desenvolvimento e para a Extensão Rural, que nos dê vida, tempo e razão para melhorar a vida dos que precisam e acreditam ainda no nosso trabalho.
Por tudo isso, acredito em uma Extensão Rural Social, financiada pela sociedade, com base ecológica, exclusivamente para a agricultura familiar e prioritariamente para os mais pobres.
Uma EMATER renovada que mantenha a sua agilidade gerencial, mas com controle público sobre os recursos que são investidos. Mais próximo de uma organização social focada em sua gestão do que uma engessada estrutura pública igual a muitas que conhecemos. Mais próximo da agricultura familiar, dos mais pobres, do que a promoção de grandes feiras agropecuárias e do trabalho fácil com o público já consolidado e atendido por estruturas privadas de assistência técnica.
Uma EMATER para produção de alimentos sadios, organização social, proteção ambiental e controlada pela sociedade e mobilizada para gerar um novo estilo de desenvolvimento.
Por tudo isso, sabemos que temos muito a fazer, portanto mãos à obra, porque esta obra é de todos.
Caminhantes, não existem caminhos, o caminho se faz caminhando.

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